A COP 31, que será realizada na Turquia, pode representar uma mudança importante na forma como governos e empresas lidam com os compromissos climáticos assumidos nos últimos anos. A expectativa é que a conferência marque o início da chamada “era da implementação”, em que as metas ambientais deixam de ser apenas compromissos políticos e passam a ser acompanhadas por mecanismos mais rigorosos de monitoramento e prestação de contas.

“Estamos entrando em uma fase em que sustentabilidade deixa de ser apenas um compromisso de reputação e passa a exigir métricas, governança e capacidade de demonstrar resultados. A COP 31 tende a acelerar esse movimento em escala global”, avalia a consultora em Relações Institucionais e Governamentais, Poliana Bentes.
Entre os principais temas da conferência está a revisão das próximas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), instrumentos que orientam os compromissos de cada país para redução das emissões de gases de efeito estufa. A tendência é que os níveis de exigência sejam ampliados, com impactos diretos sobre cadeias produtivas e modelos de negócio.
Outro destaque são os Relatórios de Transparência Bienais, que deverão exigir dados mais detalhados e precisos sobre emissões e desempenho ambiental. Na prática, empresas de diferentes setores precisarão aprimorar seus sistemas de gestão, monitoramento e divulgação de informações.
Para especialistas, a COP 31 deve consolidar uma nova etapa da agenda climática internacional, em que a capacidade de implementar, medir e comprovar resultados será tão importante quanto assumir compromissos. O recado para o setor produtivo é claro: sustentabilidade passa a ser uma obrigação mensurável e cada vez mais estratégica.